O caderno
Procure futebol de botão profissional e você vai achar kits de acrílico caros ao lado de kits de acrílico baratos, todos anunciados como oficiais. A palavra virou etiqueta de marketing, e quase nenhuma loja explica a única coisa que importa: profissional quer dizer homologado, e homologado quer dizer que o material obedece a um regulamento com medidas em centímetros.
O regulamento existe, é público e cabe em 38 páginas: a Regra Oficial de 1 Toque da CBFM, a Confederação Brasileira de Futebol de Mesa. Aqui está o que ele manda de verdade — e a decisão que pesa mais do que a marca.
Antes de escolher qualquer botão, você precisa saber em que categoria vai jogar, porque ela determina o que você pode levar para a mesa. O artigo 6º do regulamento define duas:
A diferença está na face inferior do botão: lisa ou cavada (escavada). Um botão cavado apoia menos superfície na mesa e corre de um jeito diferente. É por isso que existem duas categorias em vez de uma: não é um detalhe de acabamento, é o comportamento da peça.
Consequência prática, e é a que evita jogar dinheiro fora: um kit lindo de cavados não serve para a Categoria Liso. Antes de comprar, pergunte na federação do seu estado em que categoria você vai disputar.
O artigo 4º é curto e fecha todas as portas. Os botões têm que ser de resina acrílica, com formato cilíndrico ou tronco-cônico, e medidas máximas de 6,0 cm de diâmetro por 1,0 cm de altura. A face lateral — a chuteira, ou bainha — pode ser apenas vertical ou apenas inclinada, nunca as duas coisas.
E tem um parágrafo que costuma passar batido e que é o mais importante de todos: nenhum material pode ser agregado à face inferior e/ou à face lateral dos jogadores. Ou seja, nada de colar, lixar por baixo ou acrescentar peso onde não se vê. O que você compra é o que você joga.
Na parte de cima, ao contrário, a liberdade é total: número obrigatório, e pode levar nome, emblema e fotos. Só não pode haver números repetidos dentro da mesma equipe. Se quiser ir por esse caminho, escrevemos sobre escudos e artes para o seu time.
Não é uma figurinha em pé como no subbuteo europeu: no futebol de botão brasileiro o goleiro é um paralelogramo regular de resina acrílica, com no máximo 6,0 cm de comprimento, 2,0 cm de espessura e 3,8 cm de altura.
O regulamento ainda proíbe colocar emblemas externos que descaracterizem qualquer uma de suas faces, seja pelo tamanho, seja pelo material agregado. Faz sentido: cada face do goleiro é uma superfície de rebote, e mudar uma delas muda como a bola sai.
Esta é a parte que mais surpreende quem vem do subbuteo. A bola do futebol de botão é um disco de polietileno, geralmente amarelo ou branco, de 1,0 cm de diâmetro, 0,2 cm de altura e 0,2 grama. Dois décimos de grama.
E tem um detalhe de fabricação que o regulamento faz questão de descrever: o disco tem bisel em toda a extensão dos dois lados da parte lateral. É esse chanfro que dá o formato característico e faz o disco deslizar em vez de quicar. Uma bola sem bisel, do tamanho certo, joga diferente.
O artigo 8º define o gesto do jogo, e é mais aberto do que quase todo mundo imagina: o lance é o ato de pressionar a unha, o pente ou a palheta — ficha ou régua — sobre o jogador, fazendo ele deslizar pelo campo. As três formas são regulamentares.
O que o regulamento aperta é o resto:
Sim: no futebol de botão os praticantes se chamam técnicos, não jogadores. Jogadores são o goleiro e os botões. É a linguagem do regulamento, e ela diz muito sobre como o esporte se enxerga.
Uma equipe é o conjunto de onze jogadores: um goleiro e dez botões, com cores e modelo padronizados (menos o goleiro). Dá para começar e seguir com menos, mas há um piso: com menos de sete jogadores em campo, o adversário é declarado vencedor imediatamente.
A partida dura 50 minutos, divididos em dois tempos de 25 minutos, com no máximo 5 de intervalo. E se joga sobre uma mesa a 78 cm do chão — as medidas completas do tabuleiro estão em mesa de futebol de botão.
Vale dizer com todas as letras, porque é o que a etiqueta esconde: homologado não é sinônimo de bom para você. Um kit oficial é a escolha certa se você vai disputar competição federada. Se o plano é jogar na sala com seus filhos, a medida oficial não melhora nada — e a mesa de 2,20 x 1,60 m que o regulamento pede provavelmente não cabe.
A pergunta útil não é "é profissional?", e sim "eu vou competir?". Se a resposta for não, compre pelo espaço que você tem e pelo botão que corre bem na sua mesa. Se for sim, aí sim: categoria primeiro, material homologado depois.
Todas as medidas e regras deste artigo saem da Regra Oficial de 1 Toque da CBFM, versão 2.1.2: artigo 1º (mesa e traves), artigo 4º (botões e goleiro), artigo 5º (a bola), artigo 6º (equipes e categorias Liso e Livre), artigo 8º (o lance) e artigo 14 (duração). O documento é distribuído pela Federação Gaúcha de Futebol de Mesa.
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