O caderno
Poucos jogos brasileiros têm tantos nomes quanto este. Pebolim em São Paulo, totó em boa parte do resto do país, fla-flu no Rio Grande do Sul, pacau ou pacal dependendo de quem conta. É a mesma mesa, com os mesmos bonecos espetados nas barras, e mesmo assim duas pessoas de estados diferentes podem levar um minuto inteiro para perceber que estão falando da mesma coisa.
Este artigo responde as três perguntas que as pessoas realmente fazem: o que é, como se joga de verdade e por que tem tantos nomes. Sem lista de preços — para isso já existe a internet inteira.
O pebolim é um jogo de mesa que reproduz uma partida de futebol com bonecos fixos em barras de metal que atravessam a mesa. Cada jogador controla quatro barras — goleiro, defesa, meio-campo de cinco e ataque de três — girando e deslizando os cabos para acertar a bola.
Vale a pena separar isso de outro jogo com o qual ele vive sendo confundido: o futebol de botão, que é jogado com discos soltos empurrados com o dedo sobre uma superfície lisa. São dois jogos completamente diferentes que, no Brasil, às vezes recebem o mesmo guarda-chuva de "futebol de mesa". Um é de barras, o outro é de botões.
A diferença prática: no pebolim a bola quase nunca para e a partida é rápida e barulhenta; no futebol de botão você tem tempo para pensar antes de cada toque. Um é reflexo, o outro é pontaria.
Aqui está a parte que quase nenhum texto sobre pebolim conta direito. Existe um mapa aproximado dos nomes, mas as fontes não batem entre si, e fingir que batem seria mais fácil do que honesto.
Repare no conflito: Santa Catarina aparece como território de "pebolim" em uma fonte e de "pacau" na outra, e o gaúcho "pacal" vira "pacau" no caminho. Isso não é descuido de ninguém — é o que acontece com um nome que nunca foi escrito antes de ser falado. Estes apelidos nasceram em bar, em clube de bairro e em pátio de escola, e circularam de boca em boca durante décadas antes de alguém tentar catalogá-los.
O que dá para afirmar com segurança é mais modesto, e mais interessante: não existe um nome certo. Existe o nome que se usa onde você cresceu. E o mapa é poroso — dentro de uma mesma cidade grande convivem duas ou três versões, normalmente pela origem das famílias.
Sobre a palavra em si, o CBP conta que "pebolim" foi adotado a partir do inglês table soccer, justamente para separar este jogo do futebol de botão. Uma explicação plausível, mas repare que é a versão de uma entidade do próprio esporte, não uma etimologia documentada.
As duas formas circulam, e a dúvida é tão comum que tem gente procurando por ela no Google todo mês. Pebolim é a forma mais registrada e a que as entidades do esporte usam. Pimbolim é uma variante popular, formada pelo mesmo caminho que produz "pobrema" e "cardaço": um som que a boca acha mais confortável.
Ou seja: em texto formal, pebolim. Na mesa do bar, quem corrige o outro está perdendo tempo que poderia usar para defender melhor.
Existe um regulamento internacional de verdade. A ITSF — International Table Soccer Federation, fundada na França em 2002 — publica as Standard Matchplay Rules, e é dali que saem as regras usadas em competição. As principais:
Quem quiser conferir a fonte primária: as regras completas estão no documento oficial da ITSF, em inglês.
Sejamos francos: quase ninguém joga pebolim de bar seguindo a ITSF. O que existe é um acordo local, e ele muda de mesa para mesa. As combinações mais comuns:
A recomendação prática é simples: combine as três primeiras antes do primeiro saque. Noventa por cento das brigas de pebolim são discussões de regra travadas depois do gol, quando já é tarde para acordar qualquer coisa.
A história não é brasileira, e tem mais de um pai reivindicando a paternidade.
No Brasil, o CBP situa a chegada do jogo por volta de 1950, provavelmente trazido por imigrantes, e a filiação brasileira à federação internacional aconteceu em 2007. Entre uma data e outra cabem cinquenta anos de mesas de bar sem nenhuma regra escrita — o que explica muito bem por que cada região desenvolveu o seu próprio nome e o seu próprio regulamento.
Depende do que você quer da tarde.
Se a dúvida é por onde começar sem gastar nada, o botão ganha com folga: as regras completas estão aqui, e a história de como um brasileiro inventou o esporte com botões de camisa explica por que ele pegou tanto por aqui.
O problema prático do pebolim é o de sempre: a mesa custa caro, pesa e precisa de alguém do outro lado ao mesmo tempo que você.
O Toy Soccer Cup é a nossa resposta a isso — não uma mesa de pebolim, e sim o jogo de futebol de botão no navegador, de graça e sem instalar nada. O mesmo gesto de mirar e calibrar a força, contra o computador, contra alguém no mesmo celular ou contra gente de outro país. Não substitui a mesa do bar; é a versão que cabe numa fila de espera.