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O caderno

Pebolim, totó ou fla-flu: o que é, como se joga e por que tem tantos nomes

Poucos jogos brasileiros têm tantos nomes quanto este. Pebolim em São Paulo, totó em boa parte do resto do país, fla-flu no Rio Grande do Sul, pacau ou pacal dependendo de quem conta. É a mesma mesa, com os mesmos bonecos espetados nas barras, e mesmo assim duas pessoas de estados diferentes podem levar um minuto inteiro para perceber que estão falando da mesma coisa.

Este artigo responde as três perguntas que as pessoas realmente fazem: o que é, como se joga de verdade e por que tem tantos nomes. Sem lista de preços — para isso já existe a internet inteira.

O que é o pebolim

O pebolim é um jogo de mesa que reproduz uma partida de futebol com bonecos fixos em barras de metal que atravessam a mesa. Cada jogador controla quatro barras — goleiro, defesa, meio-campo de cinco e ataque de três — girando e deslizando os cabos para acertar a bola.

Vale a pena separar isso de outro jogo com o qual ele vive sendo confundido: o futebol de botão, que é jogado com discos soltos empurrados com o dedo sobre uma superfície lisa. São dois jogos completamente diferentes que, no Brasil, às vezes recebem o mesmo guarda-chuva de "futebol de mesa". Um é de barras, o outro é de botões.

A diferença prática: no pebolim a bola quase nunca para e a partida é rápida e barulhenta; no futebol de botão você tem tempo para pensar antes de cada toque. Um é reflexo, o outro é pontaria.

Primeiro plano de um boneco de pebolim de camisa vermelha preso à barra cromada, com a mesa desfocada atrás

Por que tem tantos nomes — e por que as fontes discordam

Aqui está a parte que quase nenhum texto sobre pebolim conta direito. Existe um mapa aproximado dos nomes, mas as fontes não batem entre si, e fingir que batem seria mais fácil do que honesto.

  • A Wikipédia em português diz que totó é o nome usado na maioria dos estados, pebolim em São Paulo, Paraná, sul de Minas e Santa Catarina, e que no Rio Grande do Sul se dizia pacal, hoje popularmente fla-flu.
  • O Clube Brasileiro de Pebolim atribui totó ao Rio de Janeiro e parte do Nordeste, fla-flu ao Rio Grande do Sul e pacau a Santa Catarina.

Repare no conflito: Santa Catarina aparece como território de "pebolim" em uma fonte e de "pacau" na outra, e o gaúcho "pacal" vira "pacau" no caminho. Isso não é descuido de ninguém — é o que acontece com um nome que nunca foi escrito antes de ser falado. Estes apelidos nasceram em bar, em clube de bairro e em pátio de escola, e circularam de boca em boca durante décadas antes de alguém tentar catalogá-los.

O que dá para afirmar com segurança é mais modesto, e mais interessante: não existe um nome certo. Existe o nome que se usa onde você cresceu. E o mapa é poroso — dentro de uma mesma cidade grande convivem duas ou três versões, normalmente pela origem das famílias.

Sobre a palavra em si, o CBP conta que "pebolim" foi adotado a partir do inglês table soccer, justamente para separar este jogo do futebol de botão. Uma explicação plausível, mas repare que é a versão de uma entidade do próprio esporte, não uma etimologia documentada.

Pebolim ou pimbolim: qual é o certo?

As duas formas circulam, e a dúvida é tão comum que tem gente procurando por ela no Google todo mês. Pebolim é a forma mais registrada e a que as entidades do esporte usam. Pimbolim é uma variante popular, formada pelo mesmo caminho que produz "pobrema" e "cardaço": um som que a boca acha mais confortável.

Ou seja: em texto formal, pebolim. Na mesa do bar, quem corrige o outro está perdendo tempo que poderia usar para defender melhor.

As regras que valem no campeonato

Existe um regulamento internacional de verdade. A ITSF — International Table Soccer Federation, fundada na França em 2002 — publica as Standard Matchplay Rules, e é dali que saem as regras usadas em competição. As principais:

  • Nada de girar as barras (o famoso molinete). A regra define giro ilegal como rodar a barra mais de 360 graus antes ou depois de tocar a bola. Se sair gol assim, o gol não vale e a bola volta ao jogo pelo goleiro adversário.
  • Bola morta. É uma bola parada na área de jogo que nenhuma barra alcança. Não se sacode a mesa: a bola é reposta segundo o regulamento.
  • Bola fora da mesa volta ao jogo pelo lado de quem não a jogou para fora.
  • A partida normal é de 5 gols, e o confronto costuma ser disputado em melhor de três ou de cinco partidas.

Quem quiser conferir a fonte primária: as regras completas estão no documento oficial da ITSF, em inglês.

E as regras que valem no bar

Sejamos francos: quase ninguém joga pebolim de bar seguindo a ITSF. O que existe é um acordo local, e ele muda de mesa para mesa. As combinações mais comuns:

  • Molinete proibido — esta sobrevive em quase todo lugar, e é a regra mais importante das informais. Sem ela, ganha quem gira mais rápido, e o jogo morre.
  • Gol de goleiro vale (ou não vale). Combine antes. É a maior fonte de discussão da história do pebolim.
  • Frango — gol que entra por falha boba do goleiro. Não muda o placar, muda a vergonha.
  • Virada a partir de 5 a 0 — em muitas mesas, tomar 5 a 0 obriga a passar por baixo da mesa. Não é regra, é folclore. E é levado muito a sério.

A recomendação prática é simples: combine as três primeiras antes do primeiro saque. Noventa por cento das brigas de pebolim são discussões de regra travadas depois do gol, quando já é tarde para acordar qualquer coisa.

De onde veio o jogo

A história não é brasileira, e tem mais de um pai reivindicando a paternidade.

  • 1921 · Reino Unido. Harold Searles Thornton registra a patente GB 205.991, "Apparatus for playing a game of table football", publicada em 1º de novembro de 1923. É o registro documentado mais antigo que costuma ser aceito.
  • Anos 1930 · França. Lucien Rosengart teria criado sua versão, o babyfoot, para entreter os netos no inverno. ⚠️ Vale o aviso: essa atribuição vem de uma reportagem de revista belga de 1979, e não há patente que a sustente. É tradição, não documento.
  • 1937 · Espanha. Alexandre de Fisterra patenteia em Madri o futbolín, e é essa a versão mais próxima da mesa que se usa hoje.
  • 2002 · França. Nasce a ITSF, que unifica as regras internacionais.

No Brasil, o CBP situa a chegada do jogo por volta de 1950, provavelmente trazido por imigrantes, e a filiação brasileira à federação internacional aconteceu em 2007. Entre uma data e outra cabem cinquenta anos de mesas de bar sem nenhuma regra escrita — o que explica muito bem por que cada região desenvolveu o seu próprio nome e o seu próprio regulamento.

Pebolim ou futebol de botão: qual jogar?

Depende do que você quer da tarde.

  • Pebolim é reflexo, barulho e partida curta. Aprende-se em dois minutos, e a diferença entre um novato e um veterano aparece no primeiro minuto. Precisa da mesa, que é cara e ocupa espaço.
  • Futebol de botão é pontaria e paciência. Cada toque é uma decisão, e dá para montar tudo em casa com material barato. A curva de aprendizado é mais longa e o teto é mais alto.

Se a dúvida é por onde começar sem gastar nada, o botão ganha com folga: as regras completas estão aqui, e a história de como um brasileiro inventou o esporte com botões de camisa explica por que ele pegou tanto por aqui.

Jogar sem ter mesa nenhuma

O problema prático do pebolim é o de sempre: a mesa custa caro, pesa e precisa de alguém do outro lado ao mesmo tempo que você.

O Toy Soccer Cup é a nossa resposta a isso — não uma mesa de pebolim, e sim o jogo de futebol de botão no navegador, de graça e sem instalar nada. O mesmo gesto de mirar e calibrar a força, contra o computador, contra alguém no mesmo celular ou contra gente de outro país. Não substitui a mesa do bar; é a versão que cabe numa fila de espera.